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Répteis

Os répteis constituem uma classe de animaisvertebradostetrápodes e ectotérmicos, ou seja, não possuem temperatura corporal constante. São todos amniotas (animais cujos embriões são rodeados por uma membrana amniótica), esta característica permitiu que os répteis ficassem independentes da água para reprodução. Os répteis atuais são representados por quatro ordens:

Os dinossauros, extintos no final do Mesozóico, pertencem à super-ordem Dinosauria, também integrada na classe dos répteis. Outros répteis pré-históricos são os membros das ordens Pterosauria, Plesiosauria e Ichthyosauria.

Os répteis são encontrados em todos os continentes exceto na Antártica, apesar de suas principais distribuições compreenderem os trópicos e subtrópicos. Não possuem uma temperatura corporal constante, são ectotérmicos e necessitam do calor externo para regulação da temperatura corporal, por isso habitam ambientes quentes e tropicais. Conseguem até um certo ponto regular ativamente a temperatura corporal, que é altamente dependente da temperatura ambiente. A maioria das espécies de répteis são carnívoras e ovíparas (botam ovos). Algumas espécies são ovovivíparas, e algumas poucas espécies são realmente vivíparas.

 

 

Classificação

A classificação Lineana dos répteis não inclui grupos que evoluíram a partir deles, aves e mamíferos, sendo por isso um grupo parafilético. Em anos recentes, grande parte dos taxonomistas defendem que a classificação deveria ser monofilética, seguindo a escola de pensamento cladista ou seja, os grupos deveriam incluir todos os descendentes de uma forma particular.

 

Evolução

Existem milhares de fósseis de espécies que mostram uma clara transição entre os ancestrais dos répteis e os répteis modernos.

O primeiro verdadeiro réptil é categorizado como Anapsídeo, tendo um crânio sólido com buracos apenas para boca, nariz, olhos, ouvidos e medula espinhal. Algumas pessoas acreditam que as tartarugas são os Anapsídeos sobreviventes, já que eles compartilham essa estrutura de crânio, mas essa informação tem sido contestada ultimamente, com alguns argumentando que tartarugas criaram esse mecanismo de maneira a melhorar sua armadura. Os dois lados tem fortes evidências, e o conflito ainda está por ser resolvido.

Pouco depois do aparecimento dos répteis, o grupo dividiu-se em dois ramos. Um dos quais evoluiu para os mamíferos, o outro voltou a dividir-se nos lepidossauros (que inclui as cobras e lagartos modernos e talvez os répteis marinhos do Mesozóico) e nos arcossauros (crocodilos e dinossauros). Esta última classe deu origem também às aves.

 

Características

 

Cobras

 

As serpentes pertencem a subordem Ofidia, ordem Squamata e Classe Reptilia, onde suas características principais são a ausência de membros locomotores, pálpebras móveis e orifício auditivo e uma característica especial que faz com que tenham uma grande abertura da mandíbula, possibilitando engolir presas maiores que sua boca.

                  Habitam todas as regiões da Terra, como nos mares, terra e rios, sendo mais encontradas em climas quentes, mas aparecem em climas temperados ou frios.

                  Os esqueletos das serpentes compõem-se de cabeça, vértebras e costelas. Na cabeça das serpentes existe um osso chamado quadrado que permite um grande recuo da mandíbula para baixo, possibilitando a abertura da boca até um ângulo de 180 graus, por isso podem engolir presas maiores que a boca.

                  As vértebras das serpentes possuem aproximadamente 200, podendo chegar a mais do que isso nas grandes serpentes como as sucuris. A pele é muito elástica e dilatável, o que vai auxiliar também na alimentação quando engolem presas muito grandes.

                  Não mastigam suas presas, usam os dentes apenas para segurar o alimento, onde nessa etapa o veneno age com uma ação digestiva, sua língua é alongada e bífida que tem como função recolher partículas que são levadas a um órgão sensorial (órgão de Jacobson) que tem função entre olfativa e gustativa.

                  As serpentes mesmo depois de mortas, apresentam movimentos reflexos, contraindo seus maxilares, o que pode ser perigoso quando se tratar de uma serpente peçonhenta, que pode ter o risco de conter veneno nos dentes inoculadores.

                  O órgão sensorial mais importante das serpentes peçonhentas, com exceção da coral verdadeira, á a fosseta loreal, que é um sistema termo-receptor bem desenvolvido. É através da fosseta que elas percebem a aproximação de animais, principalmente os de sangue quente. Conseqüentemente usando para defesa e procura por alimentos.

                  As serpentes podem ser ovíparas (põem ovos), ocorre três a quatro meses de fecundação, depois os ovos são depositados e envoltos por um líquido viscoso que os mantêm unidos, a desova é feita em locais úmidos e quentes onde as serpentes abandonam seus ovos, com exceção das surucucus. Os ovos incubarão num período de aproximadamente de três meses ou mais. e ovovivíparas (os filhotes se desenvolvem quase que inteiramente dentro do oviduto, ainda no próprio ventre materno), esse processo demora mais ou menos três meses ou mais para incubar até o nascimento dos filhotes.

                  Os alimentos das serpentes são roedores, pequenos répteis, anfíbios, lagartixas, outras serpentes, mamíferos. A alimentação vai depender da espécie e seu habitat .

                  As serpentes fazem troca de pele, onde precisam de um local para se esfregarem para que a pele velha saia, inclusive o olho possui uma pálpebra fixa que sai junto com a muda (troca de pele).

                  Encontramos serpentes terrestres e aquáticas, e ainda outras que vivem tanto na água como na terra, as serpentes peçonhentas são mais encontradas nos campos ou áreas cultivadas do que no interior de florestas, isso é devido a alimentação, onde nos campos elas encontram mais roedores, seu alimento principal. A muçurana é a serpente que se alimenta principalmente de ofídios peçonhentos. A importância ecológica das serpentes é a de fazer o controle de roedores por exemplo, que se exterminássemos todas as serpentes, haveria um super crescimento da população de roedores.

                  Em relação aos dentes, classificamos as serpentes como:

 

Áglifa: Apresentam dentes maciços, sem canal central ou sulco, não dispondo de 

presas inoculadoras de veneno. Como exemplo temos a Família Boidae (sucuris, jibóia), e algumas da Família Colubridae (dormideira).

 

Opistóglifa: Apresentam um ou mais pares de dentes posteriores, contendo um sulco por onde escorre o veneno. Como as presas são posteriores, os acidentes são mais difíceis de ocorrer. Ex. Família Colubridae (falsa coral).

        

Solenóglifas: Apresentam presa anterior e caniculada, como se fosse uma agulha de seringa. Família Crotalus(cascavel), Bothrops(jararaca) e Lachesis(surucucu).

 

Proteróglifas: Apresentam os dentes com um sulco muito profundo ao longo do seu comprimento, chegando a formar uma espécie de canal central por onde passa o veneno.

 

Quatro gêneros de serpentes são de importância médica no Brasil, o gênero Crotalus (cascavel), o Bothrops (jararacas), Lachesis (surucucu) e o Micrurus (cobra-coral).

 

 

JARARACAS

 

                   As jararacas (Bothrops sp) possuem vários nomes vulgares como jararaca do rabo branco, urutu cruzeiro, cruzeira, jararacuçu, etc. Podem atingir mais de um metro de comprimento, ocorrendo em vários Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso.  Cada espécie tem desenhos característicos no corpo, variando em relação a espécie, em se tratando da cauda, as jararacas tem a ponta da cauda com escamas não eriçadas.

                   Temos sete espécies mais comuns no Brasil que são:

-         Bothrops alternatus

-         Bothrops atrox

-         Bothrops cotiara

-         Bothrops jararaca

-         Bothrops jararacussu

-         Bothrops moojeni

-         Bothrops neuwiedi

 

                   As jararacas são responsáveis por 90% dos acidentes ofídicos no Brasil, devido ao seu aparecimento em áreas rurais, e ou regiões onde exista perto vegetação densa, ambientes úmidos,  pois elas acabam por vir atrás de alimentos como os roedores. De acordo com o Ministério da Saúde, ocorrem anualmente mais de 17.000 acidentes botrópicos.

                   Seu veneno tem três tipos de ação:

AÇÃO PROTEOLÍTICA: onde decorrem da atividade de proteases, hialuronidases e fosofolipases, liberação de mediadores da resposta inflamatória, ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e ação procoagulante do veneno.

 

AÇÃO COAGULANTE: a maioria dos venenos das jararacas ativa, de modo isolado ou simultâneo, o fator X e a protrombina. Possui ação semelhante a trombina, convertendo o fibrinogênio em fibrina. Essas ações produzem distúrbios da coagulação, que se caracteriza pelo consumo de seus fatores, geração de produtos de degradação de fibrina e fibrinogênio, o que pode causar incoagulabilidade sangüínea.

  

AÇÃO HEMORRÁGICA: a ação das hemorraginas, provocam lesões na membrana basal dos capilares, associadas a plaquetopenia e alterações da coagulação.

 

                   Podem ocorrer manifestações locais como edema endurado, dor de intensidade variável, equimoses e sangramentos no ponto da picada, infartamento ganglionar, bolhas, acompanhados ou não de necrose. Podem ocorrer também náuseas, vômitos, sudorese, hipotensão arterial e às vezes choque.

                   O tratamento se faz através de administração de soro antibotrópico o mais rápido possível, se for diagnosticado que a picada foi de uma jararaca, manter elevado o membro picado, aplicação de analgésicos para conter a dor, manter a vítima hidratada, e fazer uso de antibióticos.

 

CASCAVÉIS

 

                   Os acidentes com cascavéis, atingem 7,7%, apresentando o maior coeficiente de letalidade devido a freqüência com que evolui para insuficiência renal aguda. As cascavéis tem como característica de identificação, o chocalho ou guizo na ponta da cauda, que nada mais é do que vestígios das trocas de pele, sendo errôneo calcular sua idade através dele. São animais que preferem regiões mais áridas, mais secas e geralmente são encontradas em áreas mais afastadas.

Seu veneno apresenta-se em três ações:

 

AÇÃO NEUROTÓXICA: ocorre devido a fração crotoxina, uma neurotoxina de ação pré-simpática que atua nas terminações nervosas inibindo a ação da acetilcolina, sendo o principal fator responsável pelo bloqueio neuromuscular, o que vai ocasionar as paralisias motoras.

 

AÇÃO MIOTÓXICA: produz lesões de fibras esqueléticas com liberação de enzimas e mioglobina para o soro e são posteriormente excretadas pela urina. Ainda não está identificada a fração do veneno que produz esse efeito miotóxico sistêmico.

 

AÇÃO COAGULANTE: o consumo de fibrinogênio pode levar a incoagulabilidade sangüínea, geralmente sem redução do número de plaquetas.

 

                   O acidentado pode não sentir dor ou ser de pouca intensidade, os sintomas conseqüentes podem ser mal-estar, prostração, sudorese, náuseas, vômitos, sonolência, secura da boca, fácies miastêmicas, alteração do diâmetro pupilar, oftalmoplegia, visão dupla, aumento do tempo de coagulação.

 

                    tratamento deve ser feito através da administração do soro anticrotálico por via intravenosa, variando a dose dependendo da gravidade da  picada. A hidratação do paciente é importante, deve ser induzida a diurese osmótica, e manter o pH urinário acima de 6,5 pois a urina ácida aumenta a precipitação intratubular de mioglobina.

 

SURUCUCUS

 

                   Os acidentes com as lachesis, são muito raros, devido ao seu habitat específico, onde a densidade populacional é baixa. As surucucus, tem o corpo amarelado com desenhos escuros, e a identificação é feita através da cauda que possui escamas eriçadas, são mais agressivas.

                   A ação do veneno é dividida em quatro que são Proteolítica, Hemorrágica, Neurotóxica e Coagulante, sendo semelhantes a do veneno botrópico.

                            

                  Como tratamento específico, deve ser administrado o soro antilaquético (SAL) ou o soro antibotrópico-laquético (SABL) por via intravenosa, utilizando-se para isso de 10 a 20 ampôlas.

 

COBRAS CORAIS

 

                  São as serpentes do grupo Elapídico, com porcentagem de 0,4% dos acidentes ocorridos no Brasil.

 

Cobras Cascavéis

As cascavéis são reconhecidas especialmente pelo seu guizo que tem um som típico de chocalho. Existem diversas subespécies e são todas muito parecidas e venenosas. Chegam a medir 2 metros e são encontradas em toda América do Sul especialmente no Brasil nas regiões secas e nos campos abertos e arenosos das regiões sudeste, sul e no centro do país, sendo que sua maior incidência é em São Paulo. A cascavel só ataca quando se sente ameaçada, então se enrola toda e mantém parte do corpo erguida formando um “S”, vibrando a cauda vigorosamente e fazendo um som característico que pode ser escutado longe. Quando se coloca em posição de ataque é agressiva e dá um bote violento na vitima injetando seu veneno. Alimenta-se de ratos e outros pequenos mamíferos e é presa de outras cobras como a coral e a muçurana.

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Cobras Jararacas

Com a denominação jararaca pode-se referir a uma cobra específica ou ao gênero Bothrops que engloba 20 espécies diferentes, inclusive a popular cobra cruzeira e a cobra papagaio, que vive é verde e vive nas arvores se alimentando de pássaros. No entanto a jararaca propriamente é uma cobra venenosa encontrada próxima de cerrados e especialmente nos campos cultivados, onde buscam seu alimento, que são os roedores. As jararacas são agressivas especialmente quando estão com filhotes e quando se sentem ameaçadas. São encontradas em quase todo o território brasileiro, do Rio Grande do Sul ao leste do Mato Grosso e chegam a produzir até 18 filhotes de cada vez.

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Agressiva

Cobras Surucucus

A surucucu é a maior cobra venenosa encontrada no Brasil, podendo chegar a 4,0 metros de comprimento e algumas subespécies podem ser ainda maiores. Seu habitat natural são as florestas tropicais úmidas, portanto é encontrada na região norte do país, especialmente na floresta Amazônia. A surucucu se alimenta principalmente de roedores e tem hábitos noturnos. É um animal ameaçado de extinção.

Cobras Corais

As cobras corais são pequenas se comparadas com as outras espécies, medem de 15 até 60 centímetros, existem as corais verdadeiras que são muito venenosas e as corais falsas, que não são tão venenosas. São encontradas em todo o território brasileiro e devido as suas cores vermelho, preto e amarelo essa espécie é facilmente visível e normalmente se encontram embaixo de folhas, pedras, galhos, dentro de buracos ou troncos podres e velhos. Tem hábitos noturnos e ataca para se defender, no entanto seu veneno se espalha pelo corpo da vítima rapidamente e pode matar um adulto se não socorrido rapidamente.

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Colubrídeos


Família dos répteis, da ordem dos ofídios ou escamosos, constituídos por cerca de duas mil espécies. São Colubrídeos as serpentes, crótalos, cobras e víboras e apresentam uma grande capacidade de adaptação permitindo a sua distribuição por todos os biótipos possíveis das zonas temperadas e quentes do mundo. Possuem habitualmente numerosos dentes inclinados para trás e dois dentes ou colmilhos inoculadores de veneno situados na posição dianteira ou recuada da maxila superior. Algumas espécies não possuem colmilhos inoculadores de veneno. O seu comprimento varia entre os vinte e cinco centímetros e os três metros e setenta. O pulmão esquerdo dos Colubrídeos é muito pequeno ou não existe.
Conhecem-se espécies terrestres, diurnas ou nocturnas, espécies arborícolas, espécies aquáticas e espécies fossadoras.
O regime alimentar está relacionado com o tamanho da espécie e é constituído essencialmente por invertebrados, como artrópodes, para as espécies mais pequenas, vertebrados diversos como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos para as restantes espécies.
Algumas espécies de colubrídeos são ovovivíparos e o maior número de espécies é ovípara.
São exemplo de Colubrídeos a bamba-bamba, cobra-verde-da-savana-africana, cuja mordedura pode ser fatal para os humanos, a cobra de ferradura, a cobra-lisa-bordalesa, a cobra-rateira, a cobra-de-água-de-colar, a cobra-de-água-viperina, a víbora, etc.

 

Acidente por cobras "não peçonhentas

ACIDENTE POR COBRAS “NÃO PEÇONHENTAS”
Os Colubrídeos constituem a maior família de ofídios. Algumas espécies do gênero Philodryas sp e Clélia sp têm interesse médico, pois há relatos de quadro clínico de envenenamento. São conhecidas popularmente por cobra-cipó ou cobra-verde (Philodryas) e muçurana ou cobra-preta (Clélia), estas são ofiófagas, isto é, predam naturalmente serpentes peçonhentas. Para injetar o veneno, mordem e se prendem ao local.


Cobra-verde (Philodryas)
Foto: Marcus Buanonato


Muçurana ou Cobra-preta (Clélia)
Foto: Marcus Buanonato

Componentes com atividade hemorrágica (ações da secreção da glândula de Durvenoy), tem sido detectados na saliva de Colubrídeos como Rhabdophis subminatus e Phylodryas olfersi (cobra cipó listrada, cobra verde das árvores). Segundo Assakura e Cols., a saliva da Phylodryas apresenta atividade fibrinogenolítica, hemorrágica e formadora de edema.

Quadro Clínico: 
Pouco se conhece sobre ação dos venenos de Colubrídeos. Philodrya olfersii possui atividades hemorrágica, proteolítica, fibrinogenolítica e fibrinolítica, estando ausentes as frações coagulantes. Na maior parte dos casos, as mordeduras apresentam como resultado um quadro leve, com marcas dos pequenos dentes (serrilhado) ou arranhaduras, edema e dor discretos, sem manifestações sistêmicas. A evolução benigna (achados clínicos locais inalterados e testes de coagulação normais), após observação de 4 a 6 horas, permite o diagnóstico diferencial com acidentes por Viperídeos (Bothrops), quando a serpente não tiver sido capturada e identificada.

Casos mais graves por Colubrídeos (especialmente os opistóglifos) estão relacionados com contato continuado (mordedura prolongada por mais de 30 seg) ou repetido (várias mordeduras). Pode ocorrer edema local importante, equimose e dor.

Tratamento: Sintomático e de suporte: analgésicos, se necessário, cuidados locais rotineiros (assepsia), profilaxia antitetânica, observação da evolução do quadro (principalmente em crianças). Observação cuidadosa da evolução do caso.

 

O reconhecimento de serpentes peçonhentas deveria fazer parte do currículo escolar, principalmente nas áreas rurais do Brasil. Nós teremos que recapitular alguns pontos já colocados mas, antes, tentaremos explicar o porquê da importância do assunto.

O problema central é o tratamento das vítimas de mordidas de cobra. Essencialmente, isto é feito com a soroterapia que deverá ser a mais específica possível.

Vejamos isto:

O antídoto contra o veneno é preparado a partir de soro de cavalos que são imunizados contra a peçonha de cobras. Doses crescentes de veneno são injetadas durante um período para que o animal fabrique anticorpos contra o mesmo. Depois, retira-se o sangue do cavalo e prepara-se o soro anti-ofídico para uso em pacientes mordidos por ofídios.

É possível injetar mais de um tipo de veneno, por exemplo de jararaca e cascavel no cavalo, a fim de que faça anticorpos contra ambos os serpentes. Isto é feito e existem soros bivalentes: antibotrópico e anticrotálico (contra jararaca e cascavel), antilaquético e antibotrópico (contra surucucu e jararaca), etc...

Entretanto, a eficiência da terapêutica é muito maior com um soro específico do que com soros multivalentes. Assim, se o acidente for com cascavel é muito melhor injetar no paciente soro especificamente anticrotálico, do que um soro polivalente.

( Esquema da produção de soro)

Esperamos que tenha ficado claro que, se o cidadão acidentado informar corretamente ao médico o tipo de cobra que o mordeu, ele receberá uma terapêutica muito mais eficaz. Em caso de dúvidas, lhe será administrado soro polivalente de menor eficiência para combater o veneno ofídico.

Talvez, neste momento, você esteja formulando duas perguntas:

a) "O médico não é capaz de diagnosticar pelos aspectos clínicos o tipo de cobra que mordeu a pessoa ?"

b) "Será que o hospital não tem algum teste para detectar o tipo de veneno ?"

Ambas são excelentes questões e vamos respondê-las.

a) A prática clínica com vítimas de ofídios peçonhentos leva ao reconhecimento correto do serpente responsável pelo acidente. Portanto, a resposta é de que o médico é capaz de diagnosticar pelos aspectos clínicos o tipo de cobra que mordeu a pessoa. Mas, e é um mas grande, são poucos os profissionais que têm a prática necessária para fazer este diagnóstico. Lembre-se que no início dissemos que mensalmente existem 1.500 a 2.000 casos de ofidismo ? Isto no Brasil todo. Quantos serão os médicos que têm experiência suficiente para reconhecer os quadros clínicos específicos de cada gênero de serpente ? Certamente poucos. Só aqueles que trabalham nos grandes centros de referência para tratar estes acidentados. Por exemplo, Hospital "Vital Brasil", Hospital das Clínicas de Botucatu, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e alguns outros centros que concentram os casos de ofidismo no país.

b) Quanto a exames laboratoriais para diagnosticar tipos de venenos de cobra, eles existem e são capazes de identificar o veneno e até a quantidade que foi injetada pelo animal. Porém, há dois obstáculos a vencer: primeiro, a lentidão desses testes – os pacientes não podem aguardar horas – segundo, a dificuldade técnica e o custo, que limitam sua utilização aos centros de excelência. Os acidentes ofídicos ocorrem, na mais das vezes, longe dos hospitais bem equipados e, quando os pacientes chegam aos postos de atendimento, é preciso agir com rapidez e com os meios disponíveis: soros e outros remédios.

Certamente, até que não haja um meio de diagnosticar o tipo de veneno nos centros médicos e postos de saúde em todo o país, é importante que a vítima seja capaz de informar a espécie (pelo menos o gênero) de cobra que a mordeu: jararaca, cascavel, surucucu ou coral. Levar o ofídio – vivo ou morto – até o centro médico é uma ótima idéia, desde que a captura ou matança do animal não resulte em novas mordidas.

Examine essa tabela de reconhecimento de serpentes peçonhentas. Ela mostra os pormenores: tipo de cabeça, fosseta loreal, dentição, aspecto das escamas e cauda.

Venenosas

Não Venenosas


Cabeça chata, triangular, bem destacada.

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